Música e arranjo: Arranjado na mente, bagunçado na vida

Nasceu! Uma emoção tão intensa que passa da mente pra uma melodia, na cabeça a música tocava junto com seu arranjo complexo, vários instrumentos, guitarra, baixo, bateria, variadas vozes e no lado de fora era só eu, um violão, uma voz, era demais. O encontro do mundo real com o imaginário parecia amplificar aquelas notas nascendo do violão. Era lindo, mas agora havia um enigma, como fazer o mundo real escutar seu mundo imaginário?

Mundo imaginário ( Photo by Rakicevic Nenad from Pexels )

E era só um violão

Um mundo de instrumentos na mente e só um violão na realidade, como fazer uma idéia tomar a forma que você quer? Assim começava minha batalha, minha primeira tentativa, gravador do celular e violão… não serviu de muito, mas continua sendo até hoje minha ferramenta pra gravar idéias que vem nos locais e momentos mais inesperados.

Segunda tentativa, era um recurso que me amedrontava bastante, aquele local no qual eu não podia entrar sozinho e nem mexer em nada, onde eu teria que abrir mão totalmente da condição de ter o controle, esse local era o mini estúdio do meu pai.

Sentei no estúdio encarando nele a experiência e a confiança, me amedrontava e me animava ao mesmo tempo, vários equipamentos e teclas que eram um mundo de opções proibidos e impossíveis para um ser humano como eu.

Magno Dantas (Estúdio)

Primeira parte, segunda tentativa

Comecei a explicar a batida que eu queria na bateria e ele disse “Beleza, vou fazer aqui e você escuta, como vc quer o baixo?”. Com o auxílio do violão mostrei os acordes e uma linha simples de baixo, resposta: “O baixo tem que ter um pouco mais de ritmo, vou tocar um aqui e vc avalia”, e assim fomos, mostrei a guitarra com um pouco mais de confiança do que queria e a melodia.

Ah a melodia, minha grande chave para entrar na sala do tesouro, isso fez com que meu grande crítico me desse uma oportunidade, mediante suas regras e seu controle obviamente, mas me considero de extrema sorte por ter podido contar com meu pai nesse primeiro momento, nessa primeira música que compus e motivou o homem a investir energia nesse projeto.

Photo by Aphiwat chuangchoem from Pexels

Suor, concentração e muitas horas no estúdio, tudo parecia correr bem, minha expectativa aumentava de finalmente ter minha idéia tomando vida, gravações de guitarra, de voz, track após track, acertos, erros, o tempo passou…

Agora era hora da mágica

Gravei minhas trilhas de guitarra, voz e agora era hora de esperar, de abrir mão do controle, de esperar que as trilhas independentes se juntassem e se tornassem uma música. Saí do estúdio e deixei o cara trabalhando nas idéias, não podia entrar ou perturbar até que ficasse pronto (ordens do mestre). Quanto tempo ia demorar? Com ele não conseguia saber, meu ídolo atuava na velocidade e intensidade que ele sentisse, seu combustível era motivação e inspiração, as quais podiam vir a qualquer momento e de qualquer local, o qual por minha sorte, estava no refrão da minha música.

Magno e Hugo (Dantas)

Cada dia mais ansioso e animado para ver como a criatura de Frankenstein ia nascer, até que uma noite sai meu pai empolgado do estúdio e diz “Vem ver Hugo”, entro no estúdio, coração palpitando a 162 batimentos por minuto e ele com sorriso no rosto aperta o play. Um liquidificador de emoções corre por mim, começo a ouvir um “todas as vezes…” junto com toda aquela imensidão de instrumentos, é mágico ver pela primeira vez sua obra tendo vida.

Meu pai olhava pra mim emocionado e empolgado, captando cada expressão minha, nosso vínculo acabou crescendo mais e mais, “como era possível ainda ficarmos mais próximos?”, passava pela minha cabeça ao lado do meu melhor amigo, herói e acabou a música.

Lindo! A beleza de ouvir um arranjo na minha primeira música, a guitarra que eu gravei, a voz que eu gravei, a bateria que .. não era bem assim que tinha pensado, o baixo que…. não soava como o da minha cabeça, “Então Hugo gostou? Vamos gravar mais uma?” Minha resposta, “adorei pai, muito obrigado”.

Muito amor pelo meu pai para falar das minhas dúvidas naquele momento, mas no final das contas a música ficou linda…mas de outro jeito, era minha receita, mas com o tempero de outro sabe?

Hugo Dantas

Não cheguei a usar aquela versão para muito, mas bem serviu pro pai orgulhoso mostrar a música do seu garoto músico pra família. Muitas horas e notas, mas no final das contas será que valeu a pena?

Valeu muito! O tempo teve que passar para eu entender que todo trabalho não foi em vão, de fato, ele é base para o que me tornei, se um dia fui inseguro e tocava guitarra com medo de jogar todas as idéias no ar, hoje só consigo tocar os instrumentos que preciso pra fazer minhas trilhas sozinho em um estúdio por causa daquele momento, daquele pai e daquele garoto. Então no final das contas só uma palavra aparece na minha mente, obrigado.

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Nasceu a idéia… para um acorde, uma música, uma vida?

Violão na mão, música tocando, ouvido atento e os dedos aprenderam aquela música que eu tanto queria, mais um dia comum se passava. Café da manhã, guitarra e música nova, minha rotina mágica, enquanto o tempo passava, minha lista de desejos musicais ia encurtando, as músicas tão sonhadas já, finalmente, em minhas mãos, os objetivos alcançados, manhã atrás de manhã, violão em mãos e hoje, logo hoje, não teve música nova…

Photo by rawpixel.com from Pexels

Algo novo! Eu queria algo novo, mas a melodia na televisão já não me conquistava, troquei o canal, desliguei o aparelho e finalmente descobri, queria estar ali só, só eu e o violão, me bastou isso para eu perceber que esse algo novo que precisava não estava na tv, mas sim nas minhas idéias que viravam harmonia no violão e um murmúrio na minha voz.

Hugo Dantas (Início)

Aí começava tudo, uma briga interna, era um mi menor que virava um fá maior pra ficar mais estranho, mais rock’n roll; era um dó maior que ganhava uma nona, só pra ser mais complexo. Eu buscava um susto na rotina, uma música romântica com guitarra distorcida, um banho de mar no inverno, um café cheio de gelo.

E lá estavam eles, meus quatro acordes com uma melodia simples, cantada com “um jeito mascarado”, quando, do nada, surge mais um acorde na minha mão e na minha cabeça uma pausa, meu primeiro refrão, “tudo que eu quero é que você saiba não dá pra te esquecer”.

Hugo Dantas

Foi tão estranho, pela primeira vez esse sentimento de empolgação virava uma canção, a minha canção, era mais forte, mais sincera, era minha, minha verdade, minha inocência, minha ilusão que, por fim, tomou vida.

Do Início ao Álbum

Insídia é uma banda de Rock’n Roll que também conversa com o público pop, por misturar suas influências clássicas de The Beatles e The Police, com as influências mais agressivas de Guns’n Roses e Foo Fighters. Não abre mão da sua sonoridade com guitarras distorcidas, porém sempre faz questão de deixar aquela melodia de voz que quer bater no ouvido pra agradar de primeira.


O grupo foi formado no Rio de Janeiro, com o vocalista Hugo Dantas e guitarrista Renan Perucci nadando contra a maré dos outros estilos há mais de 10 anos juntos, apaixonados pelo Rock em todas as suas formas. 
O vocal Hugo Dantas começou a compor desde os 14 anos, filho de um pai músico e tecladista, sempre conviveu com a música em todas as etapas de sua vida, nunca fez aula e aprendeu a tocar guitarra, violão, bateria, baixo e piano sozinho, aproveitando os instrumentos do pai, o qual deu dicas valiosas pra seu aprendizado. 

Com isso, conseguiu gravar bateria, baixo,guitarra e violão no CD e dar vida as composições que estavam formadas na sua mente, junto com o guitarrista talentoso e virtuoso que conheceu desde novo, Renan Perucci, o qual acabou se tornando seu melhor amigo, parceiro pra todas as boas idéias e pras nem tão boas também…

Renan Perucci e Hugo Dantas

O guitarrista Renan Perucci começou a tocar guitarra desde seus 12 anos, sempre aficcionado por Rock Internacional e por melodias marcantes de guitarra, tendo em suas primeiras influências a sonoridade e criatividade do Slash, assim como o virtuoso e melodioso Adrian Smith do Iron Maiden.

Renan Perucci (Guitarrista)

Seus pais sempre foram profundos apoiadores do talento do filho e aos 14 anos, quando Hugo conheceu Renan pela primeira vez, ficou impressionado com o talento musical do guitarrista e a partir daí começaram a pensar em seus primeiros arranjos de guitarra juntos.

Hugo Dantas e O Estúdio (Edição, Mix, Master, Milhões de compassos e sonhos)


Dentro de um home estúdio de 2 metros quadrados é o local onde foram gravadas todas as faixas e detalhes desse álbum. O Insídia fez esse álbum com a cara dele, sem pensar em fórmulas do mercado, pensando sim em falar a sua verdade e sonhando em inspirar seus ouvintes com sua mensagem.

Mais uma música, um acorde, um hobby?

Nunca vou conseguir fazer isso!

Esse é o sentimento observando outra pessoa realizar aquela tarefa que nitidamente requer uma habilidade própria, um talento natural já desenhado no código genético do indivíduo, uma rotina pré programada nas sinapses do cérebro daquele ser humano.

É frustrante e encantador observar o violinista tocando aquela peça clássica de Johann Sebastian Bach ou o pianista tocar a genialidade de Ivan Lins, e era exatamente assim que me sentia quando meu pai tocava Insensatez, de Vinicius e Tom Jobim, na minha frente com o violão, completamente incapaz.

Magno Dantas ( Pai com o violão)

Será que eu também posso?

Caminhei em direção a ele, com medo, mas determinado, botei em minhas mãos, liguei o computador, achei o vídeo que eu queria, apertei o play e comecei a tentar descobrir no meu Yamaha APXT-1N quais eram aquelas notas que o guitarrista estava tocando, enquanto ele cantava, repetidas e repetidas vezes, na tela em minha frente “Naquele amor à sua maneira”. Assim, uma nova rotina passou a ser parte importante da minha vida, pelo momento, um hobby especial.

Hugo Dantas

Como me satisfazia tocar e cantar com o meu violão as músicas que eu escutava na rádio, na TV, na MTV! Era uma festa sozinho no meu quarto, na rodinha de violão com meus amigos ou na “roubada” de tocar no aniversário de algum deles, era só curtição, mas eu queria mais…

Peguei escondido aquele livro que meu pai tinha do Almir Chediak, cheio de bossa nova rebuscada e comecei a travar a minha batalha com ele, quebrando a cabeça, torcendo os dedos e o pulso, ficando com raiva do violão, com raiva do livro, com raiva de mim, incapaz de abrir o livro e tocá-lo de imediato.

Songbook Almir Chediak

Assim o tempo foi passando e as páginas iam saindo do livro para o meu violão, até que um dia eu a vi, linda, elegante, desafiadora, era Insensatez de Tom, me cortejando para estar em minhas mãos e eu caí por ela.

Ao final da semana estava lá meu pai, tocando A música em minha frente, ele estava no piano e eu seguia, como antes, admirando atento cada nota que ele fazia, mas dessa vez era mais especial, porque enquanto observava meu ídolo inalcançável, acompanhava com meu violão, cada balanço que essa bossa fazia. Antes uma batalha, agora uma festa, na qual achei que nunca ia participar.

Magno Dantas no piano

2019! Tudo novo ou tudo de novo?

“Agora é hora de fazer tudo certo!”

Esse pensamento começa o novo ano, novos planos, novos sonhos, novas metas, a sensação de estar com o mundo todo nas mãos.

Photo by Clark Tibbs on Unsplash

2019 começa aquele livro que terminei de escrever na minha cabeça, mas nunca redigi a primeira linha no papel; aquela pintura que já desenhei na minha mente, mas nunca parei para comprar a tinta; aquele meu blog que está sempre no trending topic das minhas idéias, mas na vida real não tem nenhum post, a real mudança neste ano é tudo o que está ao redor ou nada de fato mudou?

Voraz, a mente parece se tornar incontrolável quando o ano começa, faltam braços e pernas para tantas idéias que tomam vida no mesmo segundo, o tempo parece promissor, afinal há 365 dias para fazer um sonho se tornar realidade, 365 dias que acabaram de passar, mas agora sim estão renovados e prontos para serem usados ao seu máximo.

Photo by Collin Hardy on Unsplash

O ano que começa não é diferente, mas é!

Um tímido músico que antes se encarregava somente de sua criação dentro de um quarto fechado, agora coloca seu rosto e suas idéias mais profundas à prova para todos verem e julgarem com um “simples” clique; a ideia de mostrar-se somente através de sua arte torna-se cada vez mais distante, mais no passado, afinal vivemos em uma vitrine de obras, artísticas ou não, se a sua não está a mostra, qual o valor dela? Uma obra sua e somente sua tem esse precioso valor inestimado, mas só em sua própria mente…

Photo by Elijah O’Donnell on Unsplash

É ano de se reinventar, assumir múltiplas personalidades, múltiplas plataformas, múltiplos seguidores, amigos, porque este é mais um ano, mas um ano com muitas mais opções e caminhos para os sonhos antes tentados ou para aqueles nunca antes inventados.

É ano de regredir e lembrar dos primeiros instintos, dos primeiros sentimentos, daquela parte tão profunda da alma que te faz ser, a que torna possível avançar e por fim entender como reescrever um antigo sonho em uma nova máquina de escrever, feliz 2019. 😉

Hugo Dantas (Autor)

Rascunhos de um Sonho (Hugo Dantas)

Insídia é uma banda de Rock’n Roll que não abre mão da sua sonoridade com guitarras distorcidas e um pouco de pop rock nas melodias, sendo que no início nem tudo eram guitarras distorcidas…

Um apartamento pequeno, bem organizado, nos mínimos detalhes por um pai detalhista e uma mãe compreensiva, sempre com aquele espaço especial onde ficava o micro estúdio (micro porque bastava um passo para entrar e outros dois para sair rsrs), mas era mais do que o necessário para fazer Magno (o pai músico), abrir o sorrisão viajando nos milhares sons de teclado do seu DX-7, enquanto seu filho pequeno aprontava e espiava. E assim começava a infância de Hugo.

Magno Dantas ( O pai) e seu Estúdio

Batucando no sofá, cantando na sala de estar pra toda a família, sendo ninado pelo pai ao som de The Beatles, The Police, Casiopea, do melhor do Rock dos Anos 80 e de Bossa Nova, parecia que o garoto ia aprender a tocar um instrumento antes de escrever, mas não foi bem assim…

Hugo Dantas e o pai mostrando o Rock’n Roll

O vocal Hugo Dantas só teve seu primeiro contato com o violão aos 12 anos de idade, quando pegou escondido o violão do pai e começou a tentar tirar de ouvido uma de suas músicas favoritas, More Than Words. Foi aí que o pai músico, o qual sempre teve medo do filho seguir a estrada difícil e tortuosa da música pela qual ele havia caminhado, ficou pasmo ao ver o garoto no primeiro dia conseguindo fazer sua sequência de acordes para cantar.

Magno Dantas, Hugo Dantas e sua Ibanez Strato

Agora ficou claro que o garoto já sabia seu futuro, certo?

Muito pelo contrário, Hugo, ainda tímido, só queria cantar e tocar suas músicas favoritas e, com muito custo, dar uma canja pros seus amigos mais próximos. Mas a cada elogio e incentivo começava a nascer algo novo na alma do jovem músico…

Foto de Hugo Dantas no Insídia ao vivo (abertura para o Strike)

O que é Insídia?

“Não existe apenas Insídia por trás da máscara”

Não! Isso não é um blog de filosofia.

Apesar de começarmos com essa reflexão de Friedrich Nietzsche, o Insídia é uma banda de Rock Nacional e o objetivo desse blog é compartilhar, com quem queira ler, esses devaneios da mente do compositor que criaram não só músicas, mas uma narrativa amarrada em cada palavra e nota, do primeiro ao último momento.

Aos amantes do rock nacional, da música autoral e dos álbuns conceituais cheios de história, mistérios e easter eggs. Muito Prazer, nós somos Insídia !

Hugo Dantas